Processos Museológicos Participativos em Portugal

A palavra Ecomuseu tem uma certidão de nascimento.  Em 1971, na 9º Conferencia Geral do ICOM, onde se discutia a questão “O museu ao serviço do homem: hoje e amanhã com uma particular ênfase na sua ação educativa e cultural”  o termos surge como uma nova proposta para ligar a ação cultural aos problemas ambientais.

Inspirado nos museus de ar livre, desenvolvidos no norte da Europa (na Suécia, no final do século XIX), foi adotado em França no processo desenvolvido por Hugues de Varin  em Haut-Creusot, uma antiga comunidade mineira no Loire.  Com algum sucesso, o conceito expandiu-se pelo mundo francófono e pela américa do Sul. Nos anos oitenta, no Quebéc (Canadá) surge com bastante notoriedade o ecomuseu do Fiers-Monde, onde em 1984, no encontro sobre Ecomuseus, surge o conceito de Nova museologia. Atualmente o conceito de Ecomuseu não pode ser dissociado dos conceitos de Museus de Comunidade, Museus de Vizinhança, Museus Locais, Museus de Cidadania.

Na sua origem, ecomuseu não se constitui como uma categoria de museus, mas como uma filosofia de ação museal integrada (Mayrand, 2004, 11). Como ação museal, ele conjuga-se com o trabalho de outras instituições da comunidade (instituições farol) e constitui um instrumento de desenvolvimento da comunidade e território. Um outro principio da ação museal é o de procurar constituir-se como uma “relé” um ativador de tempos da comunidade (do passado com o presente).

A questão dos Ecomuseus é hoje uma realidade complexa e multifacetada, que pode ser analisada a partir dos processos museológicos onde o património dum dado território e comunidade é trabalhado através da participação dos seus atores usando métodos participativos para inventariar, conservar e divulgar e podem ou não encontrar-se presentes em:

  • Ecomuseus em Portugal
  • Museus de Comunidade
  • Museus Locais
  • Museus Rurais e de Paisagem
  • Parques Naturais (enquanto espaços patrimoniais)

A questão relevante, não é o conceito de museus, mas a ideia de que a museologia é um do processo, (que relaciona os objectos socialmente qualificados, com os sujeitos  num dado contexto ou cenário museal), que permite na sociedade desencadear uma transição (cognitiva ou narrativa) que se opõe à acumulação sincrónica do fatos (camadas). A exposição (ou museália)  é a encenação da complexidade para capturar as inter-relações.

Sobre esta questão veja-se o debate sobre “Ecomuseus e Museus Comunitários“.