Para uma Museália Popular

Museália – Museal

Questão: Qual é a Museália Social ?  O objeto do Museu Social

OBJETO [DE MUSEU] OU MUSEALIA s. m. (do latim objectum: jogar em) – Equivalente em francês: objet; inglês: object; espanhol: objeto; alemão: Objekt, Gegenstand; italiano: oggetto.
O termo “objeto de museu” é, por vezes, substituído pelo neologismo musealia (pouco  utilizado), construído a partir do latim, com plural neutro: as musealia. Equivalente em inglês: musealia, museum object; francês: muséalie; espanhol: musealia; alemão: Musealie,  Museumsobjekt; italiano: musealia.  (Conceitos Chave da Museologia, ICOM, 2013

A questão que se interroga é saber se existe uma Museália Popular participativa ?

 

A partir dos Conceitos Chave da Museologia (ICOM, 2013)

Como substantivo, meseal ou museália designa o campo de referência no qual se desenvolvem não apenas a criação, a realização e o funcionamento da instituição “museu”, mas também a reflexão sobre seus fundamentos e questões. Esse campo de referência caracteriza-se pela especificidade da sua abordagem e determina um ponto de vista sobre a realidade (considerar uma coisa através da sua museália  é, por exemplo, perguntar se é possível conservá-la para expô-la a um público).

Senda a museologia o estudo da relação dos sujeitos com os objetos socialmente significativos num dado contexto (museal), a musealia  é a expressão dessa “relação específica com a realidade” (Stránský, 1987; Gregorová, 1980). Uma relação que é específica da museologia, o lugar onde são colocados os problemas a serem respondidos pelos conceitos.

A Museália é o campo onde a Função social do Museu questiona a adequação dos processos museológicos. É o lugar onde emerge a “Imaginação Museal” (Mário Chagas) e a Poética Museal.

Trata da especificidade do campo museal ou, em outras palavras, aquilo que caracteriza a sua irredutibilidade em relação aos outros campos vizinhos, consiste em dois aspectos:

(1) A apresentação sensível, que distingue o museal do textual gerado pela biblioteca, que oferece uma documentação transmitida pelo suporte escrito (e principalmente impresso: o livro) e requer não somente o conhecimento de uma língua mas, igualmente, o domínio da leitura, o que conduz a uma experiência ao mesmo tempo mais abstrata e mais teórica.

O museu, por sua vez, não reivindica nenhuma dessas aptidões, pois a documentação que ele apresenta é principalmente sensível, isto é, perceptível pela visão e pela audição, e mais raramente pelos outros três sentidos – o tato, o gosto e o odor. Tal distinção permite a um analfabeto ou mesmo a uma criança retirar sempre algum fruto de uma visita ao museu, ainda que sejam incapazes de explorar os recursos de uma biblioteca.
Essa constatação explica, ainda, as experiências de visitas adaptadas aos cegos, que utilizam os seus outros sentidos (a audição e principalmente o tato) para descobrir os aspectos sensíveis do que está exposto. Um quadro ou uma escultura são feitos para serem vistos em primeiro lugar,
e a referência ao texto (a leitura de um painel, quando disponível) se dá posteriormente e não é, de fato, indispensável. Falamos, então, sobre o museu de “função documental sensível” (Deloche, 2007).

(2)  A marginalização da realidade, pois “o museu especifica-se separando-se” (Lebensztejn, 198154). Diferentemente do campo político, em que é possível teorizar sobre a gestão da vida concreta dos homens em sociedade pela mediação das instituições, tais como o Estado, o museal serve, ao contrário, para teorizar a maneira pela qual uma instituição cria, pela separação e descontextualização, ou pela produção de imagens, um espaço de apresentação sensível, “à
margem de toda a realidade” (Sartre), o que é próprio de uma utopia, ou seja, um espaço totalmente imaginário, simbólico, mas não necessariamente imaterial. Esse segundo ponto caracteriza aquilo que podemos chamar de função utópica do museu, já que, por poder  transformar o mundo, precisa ser capaz de imaginar algo diferente, isto é, precisa ser capaz de se distanciar dele, razão pela qual a ficção da utopia não é necessariamente uma falha ou uma deficiência

 

Revista Museália – Revista de Cultura e Museus. Publicação do Instituto Brasileiro de Museus